O aumento dos custos de energia, com a criação da bandeira de escassez hídrica, anunciada recentemente pela
Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica, e os riscos de apagão no país têm impacto direto nas operações dos data centers, que precisam de alimentação contínua para garantir a disponibilidade e segurança processamento de informações. Com a transformação digital e aumento do tráfego de dados ocorrido nos últimos meses, os desafios se tornam ainda maiores.

As mudanças na matriz energética dependem de políticas governamentais e de longo prazo, mas algumas medidas de eficiência podem ser aplicadas nas instalações com reduzido investimento e rápido retorno, em especial nos sistemas de climatização, que correspondem a 40% dos custos de energia de um data center. “O PUL: médio no Brasil, métrica que mede a eficiência energética nas instalações, é de 1,7 a 2,4 diz Rogerio l’ujimoto, vice-presidente de operações da green4T, empresa sediada em São Paulo com mais de 950 data centers implantados no Brasil e em 12 países da América Latina.

Além de soluções de tecnologia e implementação de data centers, a empresa realiza serviços de operação e manutenção a mais de 390 clientes, o que possibilita a criação de uma expertise focada em redução de perdas e ganhos rápidos. “Temos uma jornada de eficiência energética que pode resultar em economia de até 60% no consumo de energia da instalação”, diz. Entre os exemplos estão o confinamento de corredores de ar frio/quente e a
localização de áreas com grande dissipação de calor, baseados em programas de simulação computacional, e a transferência de servidores para racks menos densos. Do lado do processamento, as medidas incluem a atualização de servidores por modelos com processamento mais eficiente e a virtualização, com a consolidação de servidores.
Entre as novidades da green4T está o uso de óleo de grafeno para eliminar o atrito entre o motor e compressor, reduzindo o gasto de energia e aumentando a vida útil dos equipamentos. “A bomba e o compressor têm um movimento de pressão constante para empurrar o ar quente ou frio dentro do sistema. Com a película protetora do óleo na superfície, esse movimento se torna mais suave”, diz Fujimoto.

Os climatizadores são ideais para o uso de óleo de grafeno, pois têm muitas partes mecânicas e rotativas. O desenvolvimento foi apresentado aos clientes no final de 2020 e já vem sendo testado em alguns climatizadores. As medições realizadas pela green4T mostraram uma redução de 20% no consumo de energia.

“O grande valor não está no óleo de grafeno, que já é usado há muito tempo nas indústrias automotivas para reduzir atrito, mas a forma como é aplicado e gerenciado. Ou seja, como, quando e onde usar o produto de forma eficaz e sem interferência no data center em operação. O nosso conhecimento técnico, aliado ao produto, é o diferencial”, diz o executivo.

A seguir apresentaremos as ações que as principais empresas de colocation estão realizando para reduzir os impactos da crise de energia e assim garantir as operações de processamento de dados em pleno funcionamento, sem riscos de interrupções.

Além dos programas de sustentabilidade, os novos data centers seguem padrões de design onde a eficiência energética é tida como prioridade. Para isso, a empresa procura adequar os sites de forma a estarem aptos a receber
certificações LEED – Leadership in Energy and Environmental Design nível silver ou equivalente. Todos os projetos aproveitam as condições ambientais locais. Um exemplo é a captação de água da chuva no site do Rio de Janeiro,
medida que resultou em uma diminuição de aproximadamente 70% no consumo de água e 10% de energia desde a sua inauguração. Já o SP3 de São Paulo coleta a água pluvial para ser posteriormente tratada e utilizada em um sistema free cooling evaporativo. Se a temperatura externa estiver 15°C, a interna deverá ser de 20°C,
pre aproveitando a temperatura mais baixa do ar externo, economizando energia para o processo de resfriamento.

Segundo o presidente, durante períodos de fortes temporais, 100% da água de resfriamento é oriunda
da chuva, captação que gera uma economia de aproximadamente 700 mil galões de água/ano no SP3 (um galão corresponde a 3,785 litros).

No Brasil, a Equinix utiliza energia de fonte predominantemente hidrelétrica. Em alguns países, como nos Estados Unidos, é aplicado o modelo eólico. “Sempre estamos em busca de parcerias com fornecedores certificados de energia limpa ou renovável. Nas Américas, 94% da energia consumida em nossos data
centers vem de fontes renováveis”, afirma o presidente.

 

 

Sobre a possibilidade de o Brasil passar por uma nova crise energética, Carvalho explica que o consumo de energia é parte intrínseca do negócio da Equinix e, por isso, seu planejamento leva em conta eventuais flutuações. “Já se fala de uma crise elétrica no país há algum tempo, e sempre procuramos nos preparar para problemas de ordem natural ou de fornecimento. Temos um planejamento sólido, inclusive com o apoio de uma consultoria. Por analisarmos os custos com energia sob uma perspectiva de longo prazo, as oscilações não geram reajustes imediatos em nossos serviços”, finaliza.

A BRDrive, procura sempre aprimorar a eficiência energética de suas instalações, a exemplo de que em 2020, a empresa investiu em placas solares para que mais de 50% da energia de seu datacenter chegue através de fontes renováveis, sempre pensando na sustentabilidade e redução de gastos.

 

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